Com muita luta da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu a data de 25 de julho como o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. Foi decidido no primeiro Encontro da Rede, em 1992 na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana.
Dentre os motivos, destaca-se a homenagem pela resistência dessas mulheres, que historicamente são alvo de violências particulares devido à sua origem, raça e gênero. Além da lembrança de um símbolo dessa luta: a Rainha Tereza, líder de um grande Quilombo chamado Quariterê, no Vale do Guaporé (MT), em meados do século XVIII.
Tereza obteve destaque pela maneira ‘democrática’ de coordenar o Quilombo, que possuía indígenas e ex-escravizados dentre seus habitantes. Fruto de sua ótima gestão, foi nomeada pelos habitantes de “Rainha Tereza Benguela” Dentre seus feitos, estão: navegar pelos densos rios do pantanal com barcos imponentes, ter um estratégico espaço de difícil acesso para construir o Quariterê, cultivar diversos tipos de alimentos, e gerenciar a estrutura política do lugar, assim resistiram por mais de duas décadas contra os ataques dos brancos.
Não há evidências concretas sobre versão correta da morte de Tereza, uma delas é a de que cometeu suicídio, outra diz ter sido capturada por bandeirantes, e a terceira relata que a Rainha foi decapitada com a cabeça exposta no centro do quilombo. No Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra foi instituído como lei em 2014.
A América Latina e o Caribe surgem na data devido aos índices de violência contra mulheres negras serem os mais elevados do mundo, segundo o relatório da ONU “Do compromisso à ação: políticas para erradicar a violência contra as mulheres na América Latina e no Caribe”. Já no Atlas da violência, demonstrou a realidade brasileira onde 2.662 mulheres negras foram vítimas de homicídio em 2023, o que representa 68,2% do total de homicídios femininos. As formas de agressão afetam este grupo de mulheres fisicamente, psicologicamente, socialmente e financeiramente de modo particular.
Com a oficialização da data, o 25 de julho tornou-se um marco de visibilidade e mobilização, reafirmando a luta das mulheres negras contra o racismo estrutural, o sexismo e a desigualdade social. A memória de Tereza de Benguela, soma-se à pauta contemporânea de combate à violência, que ainda atinge desproporcionalmente as mulheres negras na América Latina e no Caribe.
O 25 de julho é, portanto, um dia de reflexão e luta, que relembra as conquistas históricas, mas também expõe os desafios ainda presentes para garantir dignidade, direitos e justiça às mulheres negras, latino-americanas e caribenhas.