PL da Devastação: Uma afronta à Justiça Climática e Social

TRIBUNA LIVRE | Por Viviani Bleyer Remor, socióloga, trabalhadora aposentada da Celesc e ex-dirigente do Sinergia

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 Em meio à crise ambiental global, onde os efeitos das mudanças climáticas já devastam comunidades vulneráveis e ameaçam o futuro do planeta, o Brasil se vê diante de um projeto de lei que não apenas ignora a emergência ecológica, mas também ataca diretamente os direitos dos povos tradicionais e a luta por justiça climática. Conhecida como a PL da Devastação, essa proposta representa um retrocesso sem precedentes, beneficiando interesses do agronegócio e da mineração em detrimento da floresta, da biodiversidade e das populações que dependem dela.   

A justiça climática não se resume à redução de emissões de carbono; ela exige o reconhecimento de que os mais afetados pela crise ambiental são justamente aqueles que menos contribuíram para ela: indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pequenos agricultores. A PL da Devastação, no entanto, acelera o desmatamento, flexibiliza licenças ambientais e enfraquece a proteção de territórios ancestrais, aprofundando desigualdades sociais e condenando essas populações a um ciclo de violência e expropriação.   

Além disso, o projeto é uma afronta aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como o Acordo de Paris, e desrespeita a Constituição Federal, que garante o direito a um meio ambiente equilibrado. Enquanto o mundo avança em direção a uma transição ecológica justa, o Congresso brasileiro insiste em legislar a favor da destruição, ignorando o clamor da ciência e dos movimentos sociais.  

A luta contra a PL da Devastação não é apenas ambiental – é uma luta por democracia e dignidade. É a resistência de quem defende que um outro modelo de desenvolvimento é possível: um que valorize a vida, a soberania alimentar e os saberes dos povos da floresta. Se sancionada, essa lei será um ato de violência contra o presente e o futuro do país. Cabe a todos nós, organizações, ativistas e cidadãos conscientes, resistir e exigir que a justiça climática e social prevaleça sobre os interesses de uma minoria predatória.  

A floresta em pé vale mais. E a luta continua

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