Sábado tem atividade cultural à beira-mar em Florianópolis

Ocupação Cultural Trintão quer transformar espaço abandonado em área de lazer e cultura

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Quem conheceu o bairro de Coqueiros, na região continental de Florianópolis, nas décadas de 1970 e 1980, com certeza lembra que o local era um dos principais points de veraneio e badalação da cidade. A Praia da Saudade, com o Praia Clube e o restaurante Tritão, depois chamado de Trintão, foram alguns dos locais mais frequentados pela juventude da época. O Trintão, inclusive, resistiu até o período pré-pandemia, com jantares dançantes que tinham fila de espera na entrada, especialmente às quintas-feiras à noite.

O Trintão fechou as portas há alguns anos e, mais recentemente, o prédio onde funcionava foi vendido para uma construtora. O bolsão de estacionamento público que servia aos frequentadores do espaço gastronômico, uma área de frente para o mar da Praia da Saudade, ficou abandonado pelo poder público. Um poste de iluminação foi derrubado por um caminhão; as lixeiras do local foram destruídas; vândalos levaram fios de energia e deixaram o espaço no escuro; por fim, com a escuridão, o lixo e o abandono, o local passou ser palco de brigas e de outras atividades ilícitas.
Os moradores do bairro, através da Associação de Moradores de Coqueiros – Pró-Coqueiros, se reuniram em 2024 para cobrar melhorias no local e fizeram uma “procissão” luminosa com velas, para chamar a atenção do poder público. Da “procissão”, que surtiu efeito e teve a iluminação retomada poucos dias depois, surgiu a ideia de transformar o espaço numa área cultural, com apresentações frequentes de dança, música, poesia, exposição de fotografias, atividades circenses e práticas esportivas e de lazer. Assim iniciou a Ocupação Cultural Trintão, formada por moradores e artistas da região continental da capital.

Em 2025, algumas atividades foram realizadas no espaço, como apresentações de tecido acrobático e a construção de uma estátua com o nome “Tritão e Sereia Dançando”, obra de cerca de 2,3m de altura do artista Juan Mandala, do Coletivo Espaço Tempo.

Para 2026, a meta da Associação de Moradores e do coletivo Ocupação Cultural é trazer mais atividades para o espaço: “sabemos que há interesses privados nesse local de frente para o mar e queremos que ele se mantenha público e acessível à comunidade”, afirma Carolina Franco, Diretora da Associação. 

Fotos: Petra Mafalda/Mafalda Press e Leonardo Contin

Para este sábado, 24 de janeiro, a Pró-Coqueiros e a Ocupação organizam um encontro cultural das 9h às 12h, no estacionamento público em frente ao antigo Trintão. Entre as atrações, estão confirmadas tecido acrobático; dança tribal; e apresentações de escolas de breaking. A entrada é gratuita.

SERVIÇO Evento Cultural

Data: sábado dia 24/01/2026 

Onde: estacionamento público em frente ao antigo Restaurante Tritão, Praia da Saudade, em Coqueiros – curva da Avenida Max de Souza com a Des. Pedro Silva Horário: das 9h às 12h 

Atrações: Acrobacias aéreas em tecido suspenso com alunos do IFSC; Dança Tribal com o pessoal da Sangha Studio de Dança; VLP Back Spin – Escola de Breaking 

O que levar: cadeira de praia, água, e boné ou chapéu para se proteger do calor

Rota Cultural A ideia da Associação de Moradores é fazer de Coqueiros, além de uma rota gastronômica, esportiva e turística, também uma rota cultural em Florianópolis. A moradora Lizete Contin explica que “hoje temos outros equipamentos culturais que fazem bastante sucesso no bairro. A Fundação Hassis, o Instituto Collaço Paulo e o Centro Cultural do Continente Franklin Cascaes possuem exposições artísticas diversas e são abertas ao público, sem cobrança de ingresso. A ideia é que mais este espaço venha somar para consolidar o bairro como uma rota cultural na cidade”. 

Comunidade unida há mais de 30 anos 

A iniciativa da comunidade em transformar o estacionamento abandonado em uma área de lazer não é a primeira na região. Há mais de 30 anos, a então Sociedade Amigos de Coqueiros – associação de moradores atuante à época – foi a responsável por transformar outro espaço abandonado num dos Parques mais queridos da cidade: o Saco da Lama, área da União onde se instalavam circos e parques itineran tes e onde ocorriam frequentemente furtos e assaltos em função do abandono, foi transformado pelos moradores no Parque de Coqueiros Engenheiro Hamilton Schaefer. A obra teve início em 1999 e foi erguida com descontos dos moradores na conta de luz, em convênio entre a Celesc e a Sociedade Amigos de Coqueiros e empresas parceiras.
Além do Parque de Coqueiros, outros espaços culturais e de contemplação foram construídos pela luta comunitária: O Parque da Ponta da Ilhota, também conhecido como Parque dos Cachorros, foi fruto de uma ação judicial da Pró-Coqueiros, que condenou um empresário a construir o espaço; a Passarela do Mangue, também no Parque, fruto de outra ação da Associação contra uma construtora, que, como compensação, teve que construir a Passarela; e o Centro Cultural do Continente Franklin Cascaes, onde funcionou até início dos anos 2000 o almoxarifado da Casan, outra briga da comunidade para que a área pública tivesse uma utilização cultural pela comunidade.

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