Calorão e pausas no serviço

TRIBUNA LIVRE | Por Rodrigo Luís Galvão, trabalhador da Axia Energia em Florianópolis

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TRIBUNA LIVRE | Por Rodrigo Luís Galvão, trabalhador da Axia Energia em Florianópolis

O que mais maltrata é o tipo de trabalho no calorão, por isso pausas são extremamente importantes. Quando não dá para esperar “o sol esfriar”, o jeito é parar o serviço para bai­xar o metabolismo do trabalhador, porque é uma coisa ou a outra.

A medição de calor ocupacional é feita com um equipamento chamado Medidor de Stress Térmico, que usa um índice que considera a umidade relativa do ar. Não dá para fazer essa conta sem o equipamento, mas ajuda bastante saber qual é a umidade relativa do ar onde vai ser o trabalho, em alguns sites como: https://www.climatempo.com.br , e https://portal.inmet.gov.br .

O limite do calor é oficialmente 38ºC, segundo a Norma de Higiene Ocupacional, que também pode ser atingido com 29ºC a 65% de umidade relativa, ou 26ºC a 95%. Já deu para perceber o quanto a umidade deixa tudo mais quente. Mas trabalhar no calorão en­volve duas variáveis: a temperatura com a umidade (sensação térmica), mais o jeito de trabalhar.

240 W é o limite do metabolismo quando a sensação térmica é de 38ºC. Esse metabo­lismo se consegue em um trabalho leve usando os dois braços, sempre considerando uma hora de serviço. Mais que isso, o trabalhador pode sofrer com insolação e exaustão pelo calor.

O trabalho de carregar pesos ou com movimentos vigorosos com os braços (ex.: traba­lho com foice) produz 495 W de metabolismo, e o trabalho pesado de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá, abertura de valas) gera 524 W. Você que está aí sentado lendo essas coisas está produzindo 100 W de metabolismo.

Quando estiver 38ºC o serviço tem que ser do tipo leve (240 W). Para se fazer serviços mais pesados a sensação térmica dessa hora de trabalho deve estar abaixo de 32ºC. E assim vai, sobe uma coisa, desce a outra.

Para se ter ideia do quanto os intervalos fazem a diferença, ficar 20 minutos sem parar abrindo uma vala (524 W), por exemplo, com 40 minutos de pausa, reduz o metabolismo para 240 W, mesmo que a temperatura esteja no limite do suportável. Trabalho em equipe faz toda a diferença, em qualquer clima.

É claro que ninguém merece abrir uma vala sozinho e sem parar, justo nesse calorão. Mas fazer um serviço do tipo leve (240 W) durante 45 minutos e dar uma pausa até comple­tar uma hora, reduz o metabolismo para 205 W, mesmo em um calorão miserável de 38ºC. Também ajuda muito descansar na sombra e água gelada, isso a gente já desconfiava.

Dá para trabalhar o dia todinho, desde que se façam pausas. Também é possível traba­lhar toda a semana com disposição, é só dormir legal entre um dia de serviço e outro. Dá até para trabalhar o mês de fora a fora, é só folgar nos finais de semana. Tudo tem limite, nós também.

E por falar em pausas, no dia 23 de fevereiro pare um pouquinho para votar no sindicato que representa a categoria na Grande Florianópolis, o Sinergia. Não é apenas um voto, é a defesa da nossa vida e do nosso futuro. O calorão vai passar, mas o sindicato fica do nosso lado o ano todo. Mais informações sobre calor e trabalho é só procurar na internet pelas tabelas da NHO-06 ou com o sindicato, a origem de todas as medidas de segurança no trabalho.

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