Ao contrário do que alegam empresários, de que o fim da escala 6×1 poderia gerar perda de lucros e aumento significativo de custos pela necessidade de contratar mais trabalhadores e trabalhadoras, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o impacto seria mínimo para grandes setores da economia. Nota técnica do órgão, divulgado na semana passada, indica que, na indústria e no comércio, o custo operacional adicional ficaria abaixo de 1%. O debate sobre o fim desse modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar um, e a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial está no centro do debate público.
A proposta é defendida pela CUT e demais centrais sindicais, que argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida do trabalhador e da trabalhadora, ampliar a produtividade e gerar empregos.
Impacto reduzido
Segundo o Ipea, a redução da jornada para 40h semanais elevaria, em média, o custo do trabalho celetista em 7,84%. No entanto, quando se considera o peso da mão de obra no custo total de cada setor, o efeito se dilui. Nos grandes setores com forte geração de empregos, como indústria e comércio, o impacto estimado é inferior a 1% do custo operacional, indicando capacidade de absorção das mudanças.
O Ipea destaca ainda que aumento de custo do trabalho não implica, necessariamente, redução da produção ou aumento do desemprego.
Por Walber Pinto/CUT Nacional

