Entre as medidas impopulares do governo de extrema direita, está a possibilidade de ampliação da jornada de trabalho para até 12h diárias
Trabalhadores de diversas categorias na Argentina cruzaram os braços às 00h de quinta-feira, 19 de fevereiro. A Greve Geral, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical argentina, tinha como objetivo chamar a atenção do Congresso contra o projeto de reforma trabalhista enviado pela gestão Javier Milei ao Legislativo.
A expectativa do governo de extrema direita é de finalizar a votação do projeto ainda nessa semana. A reforma foi aprovada na Câmara e, até o fechamento dessa edição, tramitava no Senado argentino.
Entre as propostas de Milei, estão a ampliação da jornada de trabalho para até 12h diárias, mudanças nas negociações coletivas – permitindo que sindicatos locais possam firmar acordos diferentes das convenções nacionais -, alterações em indenizações e demissões – o que, na prática, reduziria o cálculo das indenizações e abriria espaço para pagamentos parcelados -, além de restrições ao direito de greve e flexibilização do pagamento de horas extras. As versões iniciais do texto previam, inclusive, a possibilidade de pagamento de salários na forma de alojamento e alimentação, mas foram removidas. A versão que segue tramitando prevê que o pagamento possa ser feito em pesos argentinos ou em moedas estrangeiras.
Diversos setores aderiram à greve e foram às ruas protestar. Os impactos foram sentidos até no Brasil, por conta do cancelamento e atraso de diversas rotas de voos, já que a categoria dos aeronautas também aderiu ao movimento grevista.

