Após negociação de Acordo Coletivo com resultado positivo, empresa força trabalhadores a mudarem de CNPJ para manterem seus empregos
A Direção da AXS Energia chamou o Sinergia na semana passada para uma reunião. O objetivo era comunicar o sindicato que parte de seus trabalhadores seriam demitidos do CNPJ da AXS e passariam a trabalhar em outro CNPJ. A empresa, que recém renovou o Acordo Coletivo com avanços aos trabalhadores, já vinha dando indícios de que passaria por mudanças. Alguns empregados questionaram o sindicato sobre uma possível realocação de algumas áreas da empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho, no mês passado. Ao questionar o RH da AXS, o Sinergia foi informado de que as áreas de atendimento comercial seriam realocadas em outro endereço, e só.
Uma semana após a assinatura do Acordo Coletivo 2026, a Diretoria da AXS solicitou ao Sinergia a realização de uma reunião, com a pauta enigmática de “mudança da estrutura” da companhia. Na reunião, em 3 de fevereiro, o Sinergia foi surpreendido com a informação de que 57 dos quase 170 empregados teriam que mudar de empresa (CNPJ) e de endereço de local de trabalho caso quisessem permanecer empregadas. E que a AXS não garantiria os mesmos direitos recém confirmados em Acordo Coletivo a estes trabalhadores – ou seja, o trabalhador ou a trabalhadora que não aceitasse a mudança de empresa, de local de trabalho e a retirada de direitos conquistados no Acordo Coletivo, estaria no olho da rua. O sindicato foi informado do fato no mesmo dia em que os trabalhadores receberam o aviso prévio.
O que surpreende os dirigentes sindicais é o fato de a empresa não ter comentado absolutamente nada sobre isso nos dez dias anteriores, quando ainda estavam em negociação do Acordo com o Sinergia. Afinal, uma decisão desse tamanho, de desligar 57 trabalhadores da companhia, não é realizada do dia para a noite.
A AXS já passou por outra situação suspeita no ano passado, quando um trabalhador decidiu se filiar ao sindicato e, poucos dias depois, foi demitido. Seria apenas coincidência a demissão do primeiro trabalhador da empresa a filiar-se ao sindicato? Seria um recado aos demais trabalhadores para que não se aproximassem da entidade sindical?
Outra situação que chama a atenção é o fato de a empresa, em mesa de negociação, dizer que os trabalhadores têm uma série de liberdades, como a possibilidade de solicitar o dia do aniversário como folga – que os trabalhadores teriam essa liberdade de diálogo com suas chefias – e, em conversa com o Linha Viva em condição de anonimato, ao menos dois trabalhadores afirmaram que essa liberdade não existe.
Não custa lembrar, por fim, que a AXS é uma das poucas empresas do setor na Grande Florianópolis que ainda pratica a extenuante jornada de 44h semanais e paga o menor vale alimentação da região na categoria. O Sinergia está preocupado com a situação dos trabalhadores e se reunirá ainda nessa semana com o Jurídico para buscar as medidas cabíveis para resguardar os direitos da categoria. Demissão em massa não pode ser realizada da forma como a AXS vem fazendo – sem qualquer negociação prévia com o sindicato – e, se não for possível o diálogo, as medidas judiciais necessárias serão tomadas.

