Exposição “A liberdade é terapêutica: 35 anos de SUS – Do Holocausto Brasileiro ao Programa de Volta para Casa”

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Segue para visitação até o dia 13 de março no Museu da Imagem e do Som de Santa Ca­tarina (MIS/SC), espaço administrado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, a exposição “A liberdade é terapêutica: 35 anos de SUS – Do Holocausto Brasileiro ao Programa de Volta para Casa”.

A exposição, que é uma realização do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz­-Fiocruz, apresenta um conjunto de fotografias realizadas por Radilson Carlos Gomes, fotó­grafo documental e pesquisador da imagem, reconhecido por seu trabalho de longa duração voltado à defesa dos direitos humanos, da memória social e das políticas públicas de saúde mental no Brasil. Desde 2007, Radilson acompanha a trajetória de pessoas egressas do Hos­pital Colônia de Barbacena (MG), cenário do episódio histórico conhecido como Holocausto Brasileiro, produzindo um acervo que se tornou referência nacional sobre o processo de de­sinstitucionalização manicomial no país.

Ao longo de 17 anos, documentou a vida cotidiana das Residências Terapêuticas, produ­ziu retratos, registrou depoimentos manuscritos e acompanhou o impacto do Programa de Volta para Casa, instituído em 2003 pelo Ministério da Saúde. Seu trabalho destaca-se pela permanência, pelo vínculo estabelecido com a comunidade e pelo olhar sensível que revela dignidade, autonomia e reconstrução de identidade. Suas imagens integram pesquisas, livros, exposições e projetos audiovisuais, incluindo parcerias com a Fiocruz.

As imagens, produzidas entre 2007 e 2024, documentam a passagem da realidade manico­mial para a vida em liberdade, evidenciando o papel fundamental desempenhado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na reconstrução da autonomia, cidadania e dignidade dessas pessoas. A mostra destaca como o SUS, em seus 35 anos, consolidou uma das maiores e mais avança­das redes de saúde mental do mundo, reconhecida internacionalmente por promover cuidado integral e territorial, com foco na liberdade, na inclusão e nos direitos humanos.

Parte central desse processo é o Programa de Volta para Casa, política pública instituída pela Lei Federal nº 10.708/2003, que oferece auxílio-reabilitação psicossocial a pessoas que passaram por longas internações psiquiátricas. Considerado um dos programas mais emble­máticos do SUS, ele viabiliza a transição para uma vida comunitária, reduz violações históricas e sustenta a desinstitucionalização manicomial no país.

A mostra é organizada em três atos narrativos, que revelam a transformação social, institu­cional e humana possibilitada por essas políticas:

Ato I – O Holocausto Brasileiro (2007):

  • Vestígios da violência manicomial e o imperativo ético da Reforma Psiquiátrica.

Ato II – A Travessia (2007–2017):

  • A desinstitucionalização em curso e a implantação do Programa de Volta para Casa.

Ato III – A Liberdade como Terapêutica (pós-2017):

  • A vida cotidiana em liberdade: afeto, autonomia, pertencimento e cidadania.

Ao longo de duas décadas, o Programa de Volta para Casa já beneficiou mais de 8 mil pessoas, com aproximadamente 4 mil beneficiários ativos, além de estimular a criação de 870 Residências Terapêuticas em todo o território nacional. Seu impacto é reconhecido como uma das maiores conquistas do SUS no campo da saúde mental, simbolizando a transição defini­tiva do modelo manicomial para uma política de cuidado centrada na liberdade, na dignidade e no direito à vida comunitária.

Serviço:

O quê: Exposição “A liberdade é terapêutica: 35 anos de SUS – Do Holocausto Brasileiro ao Progra­ma de Volta para Casa”

Visitação: até 13 de março de 2026.

Local: Centro Integrado de Cultura (CIC)

Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis – SC

Realização: Ministério da Saúde e Fundação Oswaldo Cruz-Fiocruz – Entrada gratuita

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