Sinergia participa de Seminário ‘Vivas e Decididas’

Evento foi realizado no dia 5 de março na Assembleia Legislativa de Santa Catarina

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Evento foi realizado no dia 5 de março na Assembleia Legislativa de Santa Catarina

O Seminário Vivas e Decididas contra o Feminicídio levou mais de 1,2 mil mulheres e homens a lotarem todos os espaços da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O evento, integrante do calendário de mobili­zação do 8M e organizado pelo mandato da deputada Luciane Carminatti (PT), reuniu sociedade e poderes pú­blicos em uma mobilização visando ao combate efetivo ao feminicídio e às violências contra as mulheres.

“A culpa não foi delas” foi o slogan que orientou a abertura, em que foram homenageadas as mulheres víti­mas de feminicídio em 2026 em Santa Catarina, através da exposição de sapatos vermelhos, símbolo internacio­nal da ausência das mulheres que tiveram suas histórias interrompidas pela violência de gênero.

Em 2025, Santa Catarina registrou 52 feminicídios, entre eles o assassinato de três crianças, além de 255 tentativas de feminicídio, o segundo maior número do país. No estado, no ano passado, 31 mil mulheres soli­citaram medidas protetivas contra companheiros ou ex­-companheiros. Para a procuradora da Mulher da Alesc, deputada Luciane Carminatti, os números revelam uma realidade que já não pode ser tratada como rotina: “To­dos nós conhecemos esses números. Eles estão nos jornais, nas redes sociais. Nós lamentamos, nos choca­mos, mas a vida continua. E é justamente isso que pre­cisa mudar: nós não podemos naturalizar esses dados”, afirmou. O feminicídio não é uma fatalidade, é um crime previsível e evitável.

Ao longo do dia, os debates abordaram desde as ra­ízes culturais da violência até estratégias institucionais para prevenção e responsabilização dos agressores.

A procuradora-geral de Justiça do MPSC, Vanessa Cavalazzi, destacou que o enfrentamento ao feminicídio exige compreender melhor a realidade da violência no estado. Assim como a vice-presidente do Fórum Nacio­nal de Violência Doméstica, Naiara Brancher, represen­tante do Tribunal de Justiça, afirma que o grande desafio é e agir antes que a violência resulte em morte.

Segundo Naiara Brancher, SC tem avançado na im­plementação de grupos reflexivos para homens autores de violência, iniciativa pioneira no país desenvolvida em parceria com universidades.

Um dos momentos centrais do seminário foi a assi­natura de um Termo de Compromisso entre os Poderes pela Vida das Mulheres em SC.

O documento estabelece 8 compromissos assumi­dos coletivamente pelas instituições. Entre eles, estão o reconhecimento da responsabilidade compartilhada entre os poderes, a atuação integrada e coordenada, a prioridade na prevenção da violência e a atenção es­pecial às desigualdades que atingem mulheres pobres, periféricas, negras, com deficiência e de diferentes terri­tórios. O acordo também prevê a produção e comparti­lhamento de dados para orientar políticas públicas e o acompanhamento das ações assumidas.

O Sinergia foi repre­sentado pela diretora Cecy Marimon, que des­taca a importância de espaços como este “para espraiar informação, de forma que homens e mulheres compreendam como a violência de gê­nero está próxima, e como é nosso dever evitar que essa violência continue sendo relativizada”. Segundo Cecy, o combate ao machismo estrutural e a misoginia é tarefa de todos: “A luta por igualdade de gênero, a luta das mu­lheres pelo seu espaço identitário vem sendo ideologiza­da por narrativas de extrema direita, no último período. Não podemos retroceder! Conquistas históricas não po­dem ir pelo ralo do obscurantismo, sob pena de continu­armos assistindo a violência e morte de mulheres pelo simples fato de serem mulheres e dizerem não!”

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