TRIBUNA LIVRE | Por Pricila Baldissera Kozlow, trabalhadora da Celesc na Regional de Videira e dirigente do STIEEL
Sou mulher, filha, esposa, mãe de duas meninas que se tornarão mulheres, celesquianas e, hoje, também sou diretora eleita pelos trabalhadores no Sindicato dos Eletricitários de Lages – Stieel. Uma Mulher Sindicalista ocupa esta Tribuna para falar sobre um tema muito importante: Feminícidio – políticas públicas, redes de proteção e justiça.
Por muito tempo, no campo do trabalho, havia comentários sobre competição de mulheres, umas contra as outras, deixando claro que os espaços a serem ocupados eram restritos. Mas a verdade é que a força da mulher nunca esteve na rivalidade, sempre esteve na UNIÃO.
É necessário lembrar nenhuma mulher está sozinha. Não precisamos nos diminuir para caber no mundo de ninguém. Não somos fantasia, nem propriedade, objeto e, muito menos, Entretenimento. Somos mulheres inteiras, donas da nossa história, do nosso corpo e das nossas escolhas!
Assim como os homens que leem esse texto, validados e respeitados por seus estudos e esforços, nós, mulheres, também podemos ocupar os espaços que quisermos e os cargos que desejarmos, quando dispostas a desempenhar nosso papel, com o mesmo estudo e esforço, mas – infelizmente – nem sempre temos recebido o mesmo respeito.
Não é sobre uma luta de quem tem mais força física ou mais inteligência, muito menos uma luta que diz que as mulheres são melhores que os homens. Nem melhores, nem piores, seres humanos precisam de equidade e respeito.
É sobre um pedido para mudarmos nossa cultura, impregnada em nós mesmos. Não somos suas, não pertencemos a ninguém, “estamos” casadas, não somos casadas. Parem de nos bater, parem de nos calar e de nos matar! A mulher é defensora da VIDA, a VIDA se forma dentro e através dela, ela é o passaporte entre os céus e a terra, a VIDA se origina em uma Mulher!
Queremos respeito! Respeito nas relações, nos ambientes de trabalho, nas nossas falas, que sejam ouvidas até o final, sem serem cortadas, cerceadas por um machismo estrutural, que vem de geração em geração, e podemos dar início a esta mudança junto aos nossos filhos e às nossas falas, neste imediato momento (aquelas piadinhas de mulher, é só pararem, não riam, não compartilhem, isso precisa acabar).
Em um passado recente, a mulher já foi instrumento de negociação familiar nos casamentos, hoje não mais! Por falar em matar, recentemente assistimos a um caso de repercussão nacional de um feminicídio simbólico, de um marido – agressor, matou seus filhos e se matou – isso também é feminicídio, mesmo que simbólico, pois esta mulher morreu ao enterrar seus filhos.
Neste mês da Mulher, várias instituições públicas fazem debates, buscando soluções para diminuir os casos de feminicídio, e começar a debater isso já é um avanço. É sobre estarmos aqui hoje, para construirmos uma sociedade civilizatória e mais humana que comece a tratar com igualdade, equidade e dignidade nossas Mulheres e Crianças!
Compreendo que precisamos de três pilares para enfrentar esse problema: Precisamos de redes de proteção, casas de acolhimento para essas vítimas, já no momento que acionam e registram o primeiro boletim de ocorrência. Além disso, é fundamental ter profissionais capacitados para auxiliar na identificação de sinais de violência; Tivemos, no ano de 2025, 165 milhões de pesquisas no Google com a pergunta: “como matar uma mulher sem deixar rastros?”. A partir da primeira denúncia, conseguimos melhorar alguma informação do agressor, rastreando suas ações e acessos? A polícia precisa avançar nisso; As escolas: tudo começa na infância. A educação é a porta da transformação. É preciso inserir, em nossas escolas, o ensino de relacionamentos saudáveis, respeito ao próximo e combate ao machismo e à violência contra a mulher. Precisamos ensinar aos meninos, desde cedo, o respeito pelas mulheres e por suas escolhas. Inserir no contexto da educação a inteligência emocional, ensinar sobre o autocontrole e as emoções, pois, quando ensinamos limites, diálogo e respeito — em uma era voltada à inteligência artificial — estamos retornando à essência da Humanidade.
Dessa forma, ajudaremos a construir uma sociedade civilizatória, com dignidade, igualdade, respeito e tolerância. Para viver em sociedade, é preciso cultivar a cultura da cidadania e da paz. Não queremos mais ver outras mulheres morrendo! Quando uma mulher se posiciona por outra, todas avançamos!

