
DESSA VEZ, JORNAIS ACUSAM GOVERNO DO ESTADO DE ABRIGAR NA EMPRESA EX-SECRETÁRIO DE FLORIANÓPOLIS INVESTIGADO PELO MP-SC POR FAVORECER SUPOSTO ESQUEMA DE CARTEL NO SETOR FUNERÁRIO
O governo Jorginho Mello (PL) mais uma vez permitiu que a Celesc se tornasse notícia negativa na mídia. Dessa vez, até no cenário nacional. A colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, deu destaque em sua coluna dessa segunda-feira, 16 de março, para o fato de que Jorginho abrigou na companhia, em cargo comissionado com salário mensal de R$ 22 mil, o ex-Secretário Municipal de Florianópolis João da Luz, que está sendo investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) por “favorecer um suposto esquema de cartel no setor funerário e receber presentes de luxo e viagens” – informações retiradas da coluna de Bergamo.
De acordo com o Portal Upiara no SCC 10, o “inquérito do MP-SC aponta que, enquanto chefiava a Secretaria de Limpeza e Manutenção Urbana na gestão de Topázio Neto (PSD), João da Luz teria agido para beneficiar empresas ligadas ao grupo investigado”. E que, “entre as suspeitas listadas pelos promotores estão a edição de decretos favoráveis às funerárias, a retirada de fiscais do setor e a prorrogação irregular de contratos”. Upiara ainda afirma que “João da Luz foi exonerado em setembro de 2024 e uma nova legislação sobre a operação de serviços funerários foi aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada por Topázio Neto em 2026”.
De acordo com os inúmeros jornais que deram destaque ao fato nessa semana, João da Luz é investigado por, supostamente, ter recebido presentes de luxo por empresários do setor de luto (funerário), como uma viagem de R$ 6,2 mil e um chinelo de uma marca francesa avaliado em R$ 4 mil.
Os jornais que destacaram o fato ainda deram espaço para a defesa de João da Luz, que negou, por meio do escritório de advocacia que o representa, qualquer irregularidade: “O ex-secretário vê-se hoje submetido a um processo permeado por vícios e nulidades, cuja própria existência contrasta de forma gritante com a biografia íntegra que edificou ao longo de mais de vinte anos de vida pública”.
A investigação em que João da Luz é acusado foi denominada de Operação Mercadores da Morte, que teve como desdobramento a Operação Caronte, que culminou com a prisão do ex-prefeito de Criciúma, Clesio Salvaro (PSD), no ano de 2024.
A Intercel reitera, assim como em situação anterior na Celesc também no governo Jorginho Mello, que a investigação e a acusação pelo Ministério Público não são uma sentença de condenação transitada em julgado e que é preciso levar em conta o preceito constitucional da presunção de inocência.
Mas é importante destacar o descontentamento da categoria ao ver o nome da empresa mais uma vez estampando as capas de jornais por indicações investigadas e suspeitas em atuações pretéritas no serviço público: será que, para preservar a imagem da companhia, o governo não poderia fazer essas nomeações somente ao fim dessas investigações?
