
EVENTO FOI CONVOCADO PELA COMISSÃO DE ASSUNTOS MUNICIPAIS DA ALESC
Na última sexta-feira, dia 20, os trabalhadores da Celesc lotaram o auditório do curso de Direito da Univali, em Itajaí, para debater a Celesc Pública e a prestação de serviço à sociedade catarinense. O debate, realizado em forma de audiência pública, foi proposto pelo Deputado Estadual Ivan Naatz (PL), que no início do ano criticou a Celesc e os trabalhadores, por conta de faltas de energia na região do Vale do Itajaí. Convenientemente, o Deputado esqueceu-se que em abril do ano passado, também em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC), defendeu o planejamento da Diretoria da Celesc e a crescente terceirização das atividades da empresa, conclamando, ainda, o Presidente da Celesc, Tarcísio Rosa, como um dos melhores do Brasil.
Para defender a Celesc Pública de discursos que apenas potencializam os riscos de privatização, a Intercel novamente mobilizou os trabalhadores que, vindos de todas as regiões do estado, lotaram o auditório, sendo a maior representação popular na audiência. Assim como na audiência pública do ano passado, a Intercel defendeu a necessidade de mudança de planejamento da Celesc, tornando prioridade a prestação do serviço de qualidade à população catarinense e não apenas a distribuição de lucro aos acionistas, como é hoje. Para isso é necessário investir na contratação de trabalhadores próprios e na redução da terceirização.

Infelizmente, apesar de diversos contatos com a equipe do deputado e com os organizadores da audiência pública, a Intercel não teve espaço para manifestação na mesa, que teve representando os trabalhadores o representante dos Empregados no Conselho de Administração, Paulo Horn. Compuseram a mesa, além do Deputado e do Conselheiro, prefeitos e vereadores da região e os Diretores da Celesc, Cláudio Varella (Diretor de Engenharia e Obras) e Wagner Vogel (Diretor Comercial).
Os prefeitos e vereadores manifestaram críticas à Celesc por constantes faltas de energia e pela demora no restabelecimento das redes. Angioletti resumiu: “Todos os dias, como administradores da cidade, recebemos reclamações do nosso povo por falta de energia elétrica. Energia que falha, que cai. Não queremos apontar culpados, só queremos que o serviço melhore. Só isso, pois, quando pagamos queremos que o serviço seja entregue e com qualidade”.
Falando em nome da Administração da Celesc, o Diretor Cláudio Varella apresentou dados de investimentos realizados e por realizar pela Celesc na região, destacando que, até o momento, foi investido meio bilhão de reais em infraestrutura energética pela empresa. Varella também disse que a empresa tem reforçado o atendimento operacional, colocando mais trabalhadores à disposição da sociedade. Faltou dizer que isso significa mais terceirização e serviço de péssima qualidade.
SEM TRABALHADORES, NENHUM INVESTIMENTO É SUFICIENTE

O Representante dos Empregados no Conselho de Administração, Paulo Horn apontou para uma das faixas da Intercel que traz uma óbvia constatação, ignorada pela Administração da Celesc: sem trabalhadores, nenhum investimento é suficiente. Paulo destacou que não adianta disponibilizar recursos para fazer obras se, quando falta energia, não tem gente para atender a sociedade. O investimento é só uma parte. É preciso olhar os trabalhadores como um investimento também, recompondo o quadro de pessoal próprio e reduzindo a terceirização. Paulo destacou que não adianta reforçar equipes terceirizadas, porque a precarização das condições de trabalho dos trabalhadores terceirizados se reflete em um serviço também precário, deixando a sociedade desassistida enquanto os empregados próprios se desdobram para atender
A Intercel tem denunciado os problemas de uma gestão que pensa a Celesc como empresa privada. Atualmente, a companhia segue a mesma lógica das empresas privatizadas, privilegiando a distribuição de lucro aos acionistas e precarizando a qualidade do serviço prestado. Essa lógica privada atenta contra o papel principal da empresa pública e deve ser combatida. A Intercel destacou a necessidade de mudanças na forma de administrar a Celesc, que passa pela saída do atual presidente. No momento em que foi aberta a palavra ao público presente, o ex-conselheiro Jair Maurino Fonseca discordou do Deputado Ivan Naatz, que havia elogiado Tarcísio no início da audiência como alguém comprometido com o atendimento à sociedade. Jair comentou que Tarcísio vai na contramão de uma empresa pública, atacando os trabalhadores e buscando terceirizar tudo na empresa, sendo imprescindível que o Governo do Estado troque a presidência da Celesc para alguém que defenda a empresa pública e olhe a Celesc como uma empresa que deve focar no atendimento ao povo catarinense.
Presidente do Sintevi, Lucio Andre de Sousa relembrou que é necessário mudar a política de dividendos da Celesc, lembrando que desde o início desta administração o percentual do lucro distribuído aos acionistas só aumenta, enquanto a Diretoria precariza as condições de trabalho dos empregados e, consequentemente, o atendimento à sociedade. O também ex-Conselheiro e atual Diretor Administrativo-Financeiro da Celos, Leandro Nunes destacou que são os empregados que primeiro sofrem com as reclamações da população e que têm que se desdobrar para atender mesmo em condições precárias. Cobrando diretamente o Deputado Ivan Naatz, Leandro reforçou que a Celesc não é uma vergonha, mas sim motivo de orgulho para Santa Catarina e é necessário olhar para os estados vizinhos para ver o caos da privatização, impedindo ameaças ao caráter público da empresa. A última fala concedida aos participantes foi do Diretor do Stieel, Jeferson dos Reis, que destacou o orgulho de ser Celesquiano e a necessidade de valorização dos trabalhadores da empresa.
CELESC PÚBLICA, BOM PARA TODO MUNDO!
A audiência pública que havia sido convocada para atacar a empresa foi tomada pela defesa da Celesc Pública e por cobranças para uma mudança na gestão da empresa que priorize a prestação do serviço público e não só o retorno financeiro. O próprio Deputado Ivan Naatz (PL) destacou que defende a manutenção da Celesc Pública, sugerindo a criação de uma comissão para acompanhar a qualidade do serviço prestado à população. Mudando sua manifestação sobre a terceirização, Naatz afirmou que apesar de ser um fenômeno mundial, a terceirização não pode ser continuada diante de tantas evidências de que não funciona.
Para os sindicatos da Intercel, é necessária uma mudança radical na gestão da empresa, saindo de um modelo privado focado em lucro para um planejamento público que coloque a Celesc a serviço da população e do desenvolvimento da sociedade catarinense. Em entrevista à TV AL, o Coordenador da Intercel destacou a luta dos sindicatos pela recomposição do quadro de pessoal próprio e pelo fim da terceirização como forma de melhorar o atendimento à população: “Não somos contra os trabalhadores terceirizados, mas contra a terceirização de forma geral. Eles não têm as mesmas condições, nem o mesmo treinamento e equipamentos que nós. Também não têm o mesmo empenho na hora de defender os seus trabalhos e na hora de prestar o melhor serviço para a população catarinense”.
Os sindicatos da Intercel reafirmam o compromisso de defesa da empresa pública e dos trabalhadores, conclamando os celesquianos a permanecerem unidos e mobilizados para defenderem o nosso lema: CELESC PÚBLICA, BOM PARA TODO MUNDO!

