Terceirização no setor elétrico expõe trabalhadores a precarização e riscos

Terceirização no setor elétrico expõe trabalhadores a precarização e riscos

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Contratos milionários contrastam com baixos salários, pressão e denúncias de irregularidades nas empresas terceirizadas

Estamos vivendo, no setor elétrico brasileiro e em outros setores, o horror da terceirização desenfreada. Quem paga essa conta? A vida e a saúde dos trabalhadores precarizados, além da população, que recebe um péssimo retorno.

Recentemente, a Celesc firmou contratos em algumas Regionais com valores vultosos, como ocorreu na ARFLO, em março de 2026, com a terceirizada Setup, no valor de R$ 21.365.788,86, com prazo de 36 meses, podendo ser pror­rogado durante sua vigência. Outra terceirizada é a Fortlux Montagens Elétricas Ltda. O valor total do contrato, para o período de prorrogação, passou a ser de R$ 3.150.960,48. O valor médio individual por equipe/mês ficou em R$ 43.763,34. O contrato foi aditivado por dois anos a partir de dezembro de 2025.

Nos dias 1º a 3 de junho, a diretoria do Sinergia conversou com trabalhadores terceirizados e próprios sobre o trabalho. Aqui, vamos expor esse lado em que só lucra o dono da ter­ceirizada, enquanto quem paga é a sociedade e a classe tra­balhadora.

No contrato da Fortlux com a Celesc, no Vale do Rio Tiju­cas, são três equipes. No entanto, fomos informados pelos trabalhadores que uma camionete da empreiteira está que­brada há cinco meses, e, em alguns municípios, o trabalho está sendo realizado por trabalhadores da própria Celesc. Ou seja: o contrato prevê três equipes, mas quantas estão efeti­vamente trabalhando? Estamos pagando por isso?

Além disso, muitas vezes o Sinergia precisa intervir para garantir o pagamento de INSS e FGTS — direitos dos trabalha­dores e obrigação contratual das empresas.

Na Setup, os trabalhadores estão em situação deplorável com o novo contrato: perseguições, assédio e cobranças ex­cessivas. Vejamos: o piso salarial de eletricista em Florianó­polis, conforme dados do CAGED/TEM ou e-Social, pode che­gar, dependendo da função, a R$ 2.899,00. Já a Setup paga salário inicial de R$ 1.870,00, além de um ticket alimentação de R$ 33,00, sem outros benefícios.

Nesta semana, houve conversas entre gestores e trabalha­dores por meio de grupos de WhatsApp (utilizando telefone e internet dos próprios trabalhadores). Mensagem às 8h08: “Bom dia, pessoal! Estou acompanhando várias equipes. A pri­meira baixa está ocorrendo depois das 8h. Só para alinhar nossa operação e melhorar para todos: a primeira baixa deve ocorrer antes das 7h30 da manhã”. Querem que, em Florianópolis, as equipes se desloquem em 10 minutos até o local de serviço? Trata-se de pressão para cumprir o contrato sem contratação de novos trabalhadores. E quem reclama é demitido.

Sobre o feriado de 4 de junho, outra mensagem: “Boa tarde, pessoal! Informamos que, por determinação da direção da em­presa, não será permitido trabalhar de forma contínua no feria­do, sexta-feira e sábado. Dessa forma, cada colaborador deverá optar por uma das seguintes alternativas: trabalhar no feriado e folgar na sexta-feira e no sábado; ou folgar no feriado e tra­balhar normalmente na sexta-feira e sábado. Essa orientação deve ser seguida por todos, sem exceção, conforme determina­ção da direção. Contamos com a compreensão e colaboração de todos”.

Absurdos como esses aconteceram na semana passada, e o sindicato precisou intervir para conter essa pressão, que afeta não apenas o estado físico, devido ao cansaço para atin­gir metas, mas também a saúde mental dos trabalhadores.

Empregados que exercem a função de eletricista possuem regulamentações específicas, como a obrigatoriedade da NR- 10, o que permite ao sindicato representá-los judicialmente na defesa de direitos do setor. No caso da Setup, que ques­tionou a representação do Sinergia, o sindicato, por meio da assessoria jurídica Garcez, está em mediação no MPT e no TRT para negociar e melhorar as condições de trabalho.

O sindicato também acionará o Ministério do Trabalho e Emprego – SRTE/SC para garantir a fiscalização das NRs 1, 5 e 10 e dos contratos de trabalho, já que essa terceirizada pos­sui histórico negativo na prestação de serviços no Rio Grande do Sul, onde inclusive houve CPI na Assembleia Legislativa gaúcha.

No dia 8 de junho, um trabalhador tomou uma atitude ex­trema na sede da Setup: entrou em greve de fome até que cessassem as perseguições. A diretoria do Sinergia conver­sou com o trabalhador e, junto à assessoria jurídica Garcez, tomou providências para resguardar sua vida. Uma das ações foi acionar os profissionais do SESMT (Serviços Especializa­dos em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) da Arflo, que prontamente foram ao local, acompanhados de outros profissionais, e dialogaram com o trabalhador e com a gerência da empresa.

Posteriormente, informaram ao sindicato o desligamento do trabalhador. A diretoria do Sinergia agradece aos técnicos de segurança da Arflo pela solidariedade ao trabalhador ter­ceirizado.

A Setup está sem eleição da CIPA e sem técnico de segu­rança, já que este foi deslocado para atuar no novo contrato com a Celesc na área de construção.

Até quando o desrespeito às normas de segurança, às NRs e aos trabalhadores e trabalhadoras vai continuar?

Denuncie. Procure o sindicato.

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