Trabalhadores da SETUP, empresa terceirizada da Celesc, entram em greve por tempo indeterminado

Trabalhadores da SETUP, empresa terceirizada da Celesc, entram em greve por tempo indeterminado

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Movimento dos trabalhadores escancara problemas das terceirizações, denuncia riscos no trabalho e cobra medidas urgentes da empresa

Os trabalhadores da SETUP, empresa terceirizada da Ce­lesc e responsável por serviços de construção, manutenção e operação de redes elétricas na Grande Florianópolis, ini­ciaram nesta segunda-feira, dia 15, uma greve por tempo indeterminado. A mobilização reduzirá o atendimento na Grande Florianópolis, visto que parte dos serviços da es­tatal é realizada pela empresa terceirizada. A greve conta com o apoio do Sinergia e denuncia uma realidade de pre­carização que há anos afeta os trabalhadores terceirizados do setor elétrico.

Entre as principais reivindicações estão a implementa­ção do piso regional dos eletricitários, a negociação coleti­va de trabalho com um sindicato que represente de fato os eletricitários, o cumprimento das normas de segurança do trabalho, a garantia de direitos previstos na legislação traba­lhista e o fim das práticas de gestão baseadas em metas e cobranças que colocam em risco a vida dos trabalhadores.

Os relatos recebidos pelo Sinergia revelam uma situação preocupante. Além dos baixos salários, a empresa estaria submetendo os eletricistas a uma forte pressão por produti­vidade, mesmo em uma atividade de alto risco. Atualmente, a SETUP paga R$ 1.977,73 aos eletricistas, valor muito abai­xo do piso regional da categoria, fixado em R$ 2.899. Soma­-se a isso a ausência de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) há cerca de dois anos e a falta de técnico de segurança do trabalho nos últimos meses.

Em conversas com os trabalhadores em greve nessa se­gunda-feira, na porta da empresa, o Linha Viva ouviu, em condição de anonimato, três trabalhadores. Eles afirmaram que “é impossível fazer as atividades laborais da forma cor­reta, utilizando EPIs, sinalizando tudo como manda a nor­ma, no tempo em que a empresa exige. Não temos como desempenhar as atividades de forma segura cumprindo a pressão que a empresa nos impõe. Ou fazemos no tempo que ela quer, ou fazemos de forma segura”. Outro trabalha­dor reclamou da ausência de técnico de segurança do tra­balho e de CIPA: “A empresa apresentou para a Celesc um técnico de segurança e logo em seguida ele saiu da função. CIPA não temos há pelo menos dois anos, lembrando que atuamos numa atividade extremamente periculosa, com risco a vida”. Esse mesmo trabalhador relatou que, apesar disso, seus colegas trabalham de maneira empenhada: “A nossa sorte é que todos aqui trabalham bem, são compe­tentes no que fazem. Mas desanima e preocupa ver esse descaso com a nossa segurança e os salários que nos pa­gam, muito abaixo da média”.

Outro trabalhador denunciou que a empresa não tem aceitado os atestados médicos de seus empregados: “Já faz algum tempo que eles não aceitam diversos atestados médicos. O trabalhador é descontado. O clima de insatis­fação é geral. Muitos colegas nossos foram demitidos ou pediram demissão, processaram a empresa e ganharam na Justiça”.

A SETUP mantém contrato milionário com a Celesc para a execução desses serviços. Em março deste ano, foi fir­mado um contrato de aproximadamente R$ 21,3 milhões com vigência de 36 meses. Diante desse cenário, o Siner­gia protocolou ofício junto à Celesc cobrando providências imediatas, uma vez que a contratante também possui res­ponsabilidade sobre as condições em que os serviços são executados.

Ainda na segunda-feira, o Sinergia solicitou ao Ministé­rio Público do Trabalho um pedido de mediação para que a empresa seja forçada a rever suas práticas e apresentar melhores condições de trabalho aos seus subodinados.

A greve expõe um problema estrutural da terceirização no setor elétrico: trabalhadores que realizam atividades es­senciais e perigosas recebem salários menores, possuem menos proteção e enfrentam condições de trabalho mais precárias do que aquelas garantidas aos empregados dire­tos. Trata-se de uma lógica que reduz custos às custas da segurança, da saúde e da valorização profissional.

É inadmissível que trabalhadores responsáveis por uma atividade essencial para a população catarinense atuem em condições marcadas por baixos salários, insegurança e des­respeito aos seus direitos. O Sinergia seguirá acompanhan­do a mobilização e prestando todo o apoio necessário aos trabalhadores até que suas reivindicações sejam atendidas.

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