Contra a ofensiva privatista: Defesa do saneamento público e da democracia marca o 1º Congresso do Sintaema-SC

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Encontro reuniu casanianos para debater o enfrentamento ao projeto neoliberal, a defesa da democracia e a organização das lutas de massas

A defesa de uma Casan 100% pública e da água como direito inalienável deu o tom do 1º Congresso do SINTAEMA-SC, reali­zado nos dias 18 e 19 de setembro, na sede da FETIESC, em Itape­ma. Pela primeira vez, trabalhadoras e traba­lhadores da Casan se reuniram para decidir coletivamente os rumos estratégicos do sindicato e organi­zar a resistência contra a Lei Privatizante do Saneamento (Lei nº 14.026/2020).

O encontro unificou diversas representações políticas e sindicais na mesma trincheira. Participaram das mesas de abertura e análise de conjuntura o presidente do Sintaema­-SC, Pedro de Lucena; a representante da CTB-SC, Letícia Lis; o secretário da FETIESC, Ednaldo Antônio; o presidente do Sintaema-SP e dirigente da Fenatema, José Antonio Faggian; o presidente do Sintsama-RJ, Vitor Duque; a presidenta do PCdoB-SC, Janaína Deitos; o ex-conselheiro da Casan, Hane­ron Victor Marcos; além das saudações por vídeo da verea­dora de Criciúma Giovana Mondardo (PCdoB) e do deputado federal Pedro Uczai (PT).

O Sinergia foi representado pelos dirigentes Mário Jorge Maia e Leonardo Contin da Costa, que falou em nome dos eletricitários, lembrando que as lutas das duas categorias são muito semelhantes e que a resistência aos ataques pre­cisa ser conjunta: “Estamos buscando o compromisso dos candidatos ao governo pela não privatização da Celesc e da Casan. Candidato que assume compromisso de manter uma empresa pública e não assume com outra não nos serve. Do mesmo modo, candidato que não assume compromisso com nenhuma das duas também é um risco”.

Uma convicção unânime pautou o discurso das lideran­ças: o saneamento básico não pode ser mercadoria para saciar o capital financeiro. O laboratório neoliberal no Rio de Janeiro foi citado como alerta de uma equação perversa onde privatização significa precarização extrema do trabalho, aumento abusivo de tarifas, arrocho salarial e o abandono de municípios deficitários que não dão lucro.

Em contrapartida, a manutenção das estatais foi defendi­da como a única via para garantir o direito à água, subordi­nando o serviço ao interesse do povo, e não dos acionistas.

Nesse sentido, a ofensiva do capital financeiro contra as águas do país exige uma resistência unificada em âmbito nacional. O crime de lesa-pátria cometido com a recente pri­vatização da Sabesp, em São Paulo, ilustra a gravidade do cenário. Entregue aos monopólios privados pelo governo de extrema direita, o caso paulista reforça o alerta máximo para Santa Catarina e para o resto do Brasil: a lógica privatista visa apenas usurpar empresas estratégicas para socializar os custos e privatizar os lucros.

Essa entrega do patrimônio público encarece a conta para o trabalhador e torna a articulação nacional dos sindicatos a única barreira capaz de deter o desmonte. Para barrar esse trator privatista, o debate conectou a luta sindical à disputa eleitoral, deixando claro que a conciliação não cabe no movi­mento classista. Os participantes ressaltaram a urgência de eleger um candidato ao Executivo nacional que seja forjado nas lutas sociais, acompanhado de uma bancada progressis­ta forte. Só com essa correlação de forças no Legislativo será possível revogar retrocessos trabalhistas, combater a lei pri­vatizante do saneamento e avançar pelo fim da escala 6×1 e proteger a soberania do País. No âmbito estadual, a exigência é que as candidaturas ao governo assumam um compromis­so inegociável contra a entrega da Casan e da Celesc.

Por fim, as falas reforçaram que os trabalhadores que ar­riscaram a vida na pandemia precisam de valorização con­creta. Como horizonte de luta da categoria, destacam-se a criação do Piso Nacional dos Trabalhadores do Saneamento e de uma Norma Regulamentadora (NR) própria. O Sintaema­-SC segue, agora, com o desafio de transformar as reflexões do Congresso em ampla organização de base para defender a dignidade da classe trabalhadora e o direito universal ao saneamento público.

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