A tormenta que atormenta

Esgotamento físico e mental da categoria vem se agravando mês a mês. Está nas mãos da Diretoria a mudança de clima!

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Nos últimos anos, Santa Catarina sofreu com muitas ‘tormentas’, palavra utilizada para definir grandes tempestades, ciclones e temporais. Pois essas tormentas que assolam o estado são um verdadeiro tormento para celesquianos que atuam na linha de frente, com equipes de emergência em número cada vez mais reduzido, trabalhando incansavelmente para recompor o sistema elétrico.

Muitos trabalhadores viram a noite em jornadas intermináveis e exaustivas, heróis anônimos que vestem a camisa da maior estatal catarinense. Enfrentam todos os perigos ligados à sua profissão, sofrendo com outros fatores externos que também trazem enorme risco, como trânsito, ventanias, raios e outras intempéries. Isso virou rotina: meteorologistas alertam que a região Sul é um corredor para grandes tempestades tropicais, que hoje não tem estação para aparecer; pode ser no inverno ou na entrada da primavera, causando estragos na rede. A energia nestes lugares tem sido restabelecida em dois ou três dias por esses bravos celesquianos que deixam seus lares em busca de um atendimento o mais rápido possível para a sociedade catarinense.

É necessário questionar: até quando celesquianos/as suportarão tamanha pressão e sobrecarga de trabalho? Essas pessoas suportarão, física e psicologicamente, essas jornadas de trabalho intermináveis? Suas famílias aguentarão tamanha rotina de ausências?

Nos últimos anos, o volume de trabalho aumentou para todos. Um dos principais motivos é a falta de recomposição do quadro de trabalhadores nas mais diversas áreas, uma política adotada pela atual Diretoria da Celesc, que insiste em não discutir com os sindicatos o quadro de dotação, descumprindo inclusive um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público do Trabalho – MPT, e mantendo uma política voltada para a terceirização e precarização das atividades. Vale lembrar que as empresas contratadas para atividades-fim não são preparadas e não possuem o conhecimento técnico dos trabalhadores próprios da Celesc, o que gera o famoso retrabalho.

Essa estratégia da Celesc de não contratar mão de obra própria gera um problema de saúde ocupacional, com trabalhadores relatando estresse devido à sobrecarga de atendimento. As reclamações são frequentes, pois muitas vezes são convocados para cobrir escalas nos seus dias de folga ou escalados em sobreavisos intermináveis, afetando a sua vida pessoal e familiar. Quem será responsabilizado pelo adoecimento de trabalhadores?

Quem será responsabilizado por danos psicológicos que levarão anos para serem tratados e curados? A Celesc? Não custa lembrar que a publicação da Portaria 1.999, de 27 de novembro de 2023, e a nova legislação da CIPA tratam da violência no trabalho e o reconhecimento do adoecimento psicológico relacionado ao trabalho, como a Síndrome de Burnout. Por meses se teve a chance de evoluir na construção de medidas para a prevenção de adoecimentos e acidentes através da repactuação da ACP da Saúde e Segurança. Mais uma vez, a Diretoria ganhou tempo e, na opinião da Intercel, desrespeitou os sindicatos, que precisaram protocolar manifestação no MPT para executar a ação.

Além disso, deverá ser discutido o cumprimento do TAC do quadro de dotação com a realização de concurso público. A prevenção no setor elétrico não pode ser teoria, é preciso buscar soluções práticas para minimizar os agravos à saúde e resguardar a vida. Para tanto, a Intercel analisa acionar judicialmente a Celesc, pedindo responsabilização civil e criminal pelos últimos acidentes fatais na empresa.

É necessária uma mudança de postura da Direção da empresa e a contratação imediata de novos empregados, pois acabaram de aprovar mais um PDI sem aprovar concurso público, o que favorece a política de desmonte da Celesc. É preciso evitar que o atendimento à população se torne ruim, já que tal fato favoreceria o clima para uma futura privatização. Celesquianos e celesquianas querem chuvas calmas e dias tranquilos, tanto na área meteorológica quanto na administração da Celesc Pública.

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