MPT responde denúncia do Sinergia em relação à mudança de cidades do Almoxarifado

MPT responde denúncia do Sinergia em relação à mudança de cidades do Almoxarifado

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Mais trabalhadores se manifestam ao Linha Viva contrários à mudança

O Ministério Público do Trabalho (MPT) deu retorno à denúncia do Sinergia que tratava de riscos e prejuízos à saúde física e mental das pessoas trabalhadoras afetadas com a mudança do Almoxarifado Central da Celesc. A Procuradora do Trabalho em 1º grau arquivou a denúncia, sob argumento de que os problemas relacionados à mudança do local poderiam ser resolvidos “diretamente entre sindicato e empresa”, sem a intervenção do MPT.

O Sinergia apresentou recurso contra a decisão, visando o desarquivamento e o Prosseguimento da denúncia, para apurações dos fatos, pois entende que há significativo número de empregados afetados pela mudança e às condições de trabalho prejudiciais à sua saúde física e mental.

Paralelo a isso, outros trabalhadores do Almoxarifado se manifestaram ao Linha Viva, relatando seus problemas com a possível mudana de cidade: Trabalhador 1: “É necessário esclarecer que a Celesc não consultou, não comunicou sobre eventual mudança do Almox. Central, quiçá ficar fora de Palhoça, por meio de uma licitação que nos gera dúvidas. É fato que a área atual (Palhoça), é estratégica (área urbana consolidada, próxima a restaurantes, postos de combustíveis, cercada pela BR 101, além do contorno viário) e não haveria motivo para sair de Palhoça, mas talvez da atual localização. Digo talvez, pois há corrente que entende que o Almox. Central, por estar em localização estratégica, poderia ser reformado, inclusive com recursos financeiros da própria atividade que exerce (sucatas por ex.). Lembramos que a denúncia ao MPT por conta da estrutura precária do Almox. Central, confirmada pelo Sinergia em diligências solicitadas pelo MPT, assim como os alagamentos recorrentes que foram vetores para a licitação 25/00571, têm ligação direta com a localização/estrutura do Almox. Central e não com o município (Palhoça).

Realizar a mudança desse complexo, localizado estrategicamente em área urbana, portanto sem fundamento, além de ferir a eficiência administrativa, fere a habitualidade de mais de 100 trabalhadores que não foram comunicados e terão de se deslocar cerca de 100km/dia (ida e volta), além de ter de conviver com mau cheiro e qualidade do ar prejudicadas, senão nocivas à saúde, já que estarão sediados em Biguaçu a cerca de 1000m de uma empresa de ração (Patense) e do Aterro Sanitário. Atualmente, a Segurança é uma bandeira da Celesc (O Jeito de Ser Celesc), e somos levados a reflexão: Até onde a Empresa está se ‘preocupando’ com seus trabalhadores sejam eles diretos ou indiretos? Cadê sua responsabilidade socioambiental?”

Trabalhadora 2: “Aponto como principais impactos dessa mudança a desestruturação de minha rotina familiar e impactos financeiros. Após praticamente uma vida inteira residindo neste munícipio, obviamente tenho laços profundos nesta região, estou próxima de minha família e meus filhos. Hoje tenho condições de estar presente no horário de almoço, dar o suporte que necessitam e ter qualidade de vida. Foi por este motivo que, anos atrás, solicitei transferência da Administração Central, convicta de que jamais ocorreria este tipo de mudança drástica neste local. Nos adaptamos as características do município, meu filho estuda a 5min de meu trabalho e moramos a 5min da empresa. Sou filha única, tenho pais idosos que precisam de mim, estando próxima posso socorrê-los em momento de necessidade rapidamente, fato que jamais ocorrerá estando a 50 km de distância em péssimas condições de mobilidade.

Recentemente investimos valor considerável na aquisição de imóvel nesta região, onde Estamos residindo na certeza que jamais nosso local de trabalho seria alterado para uma região tão distante, nos comprometemos financeiramente na aquisição do bem, conscientes de que não teríamos custo adicional durante a vigência do financiamento imobiliário realizado. Nossa família terá grandes impactos financeiros, decorrentes da questão do deslocamento, gerados pelos gastos com combustível, desgaste veicular e alimentação. Além desse tempo de deslocamento, acarretar em profundo estresse causado pelas filas constantes que a rodovia apresenta historicamente, preocupação e exposição a riscos de acidentes, menos tempo de descanso e quebra de vínculos sociais como nossas redes de apoio, que foram construídas no entorno do local atual”.

Trabalhadora 3: “Moro a 3km do Almoxarifado, seria inviável o deslocamento até o novo endereço, visto que não tenho meio de transporte próprio. Mesmo sendo terceirizada, estou

há 5 anos na empresa e isso me impactará diretamente, pois terei que solicitar o desligamento, visto que não teriam como me realocar por conta do cargo que exerço. Além disso, trabalho com a equipe que faz todo o atendimento contábil das obras da Celesc. Com minha saída e a saída dos integrantes da minha equipe simultaneamente, impactará diretamente os resultados da empresa, tendo em vista que leva tempo o treinamento para as funções que exercemos, ainda mais formando uma equipe do zero, sem um profissional totalmente qualificado para efetuar tais treinamentos, a operação teria que parar totalmente, atrasando todos os prazos das obras do estado”.

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