Não deixará saudade…

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PRESIDENTE TARCÍSIO ROSA SAI DA CELESC E DEIXA COMO MARCAS OS PROBLEMAS NO ATENDIMENTO, O AUMENTO DA TERCEIRIZAÇÃO E O ENFRENTAMENTO COM A CATEGORIA

Tarcísio Rosa finalmente sairá da presidência da Ce­lesc. A notícia, divulgada pelo jornal Notícias do Dia no final de semana, foi recebida com alívio pelos trabalha­dores. A gestão Tarcísio encerra um período marcado por forte desgaste na relação com os trabalhadores e por críticas recorrentes da população quanto à qualida­de dos serviços prestados pela companhia. Ao longo de sua gestão, acumulam-se episódios que evidenciam um modelo de administração privada, voltado à redução de custos e aumento do lucro dos acionistas, mas que trouxe impactos diretos tanto para os empregados quanto para os consumidores. A percepção é de deterioração da mar­ca Celesc ao longo dos três anos em que Tarcísio esteve à frente da empresa, indicado pelo governador Jorginho Mello (PL).

Um dos principais pontos de insatisfação esteve re­lacionado ao atendimento ao público. Consumidores de diversas regiões de Santa Catarina enfrentaram dificulda­des com prazos para religação, demora na solução de pro­blemas, lojas de atendimento lotadas com filas de espera e canais de atendimento sobrecarregados. A percepção de piora nos serviços ganhou força especialmente em momentos de crise, como eventos climáticos, quando a resposta da empresa foi considerada insuficiente por usu­ários e entidades de defesa do consumidor. Um dos casos mais recentes foi a falta de planejamento para a operação verão no litoral catarinense, especialmente na região do Vale do Itajaí: Consumidores passaram horas sem energia durante a virada do ano, gerando reclamações da popula­ção, de prefeitos, vereadores e deputados. Uma audiência pública foi realizada pela Assembleia Legislativa, mas Tarcísio não apareceu para defender a empresa e sua ges­tão – mandou outro diretor em seu lugar.

Terceirísio?

Internamente, a política de ampliação da terceirização foi outro eixo central da gestão. O aumento da contratação de empresas terceirizadas para atividades-fim da Celesc gerou preocupação entre os trabalhadores, que apontam riscos à segurança, precarização das condições de traba­lho e perda de conhecimento técnico acumulado ao lon­go dos anos. Para as entidades sindicais que compõem a Intercel, essa estratégia enfraquece a empresa pública e compromete a qualidade dos serviços oferecidos à po­pulação.

Nos corredores da empresa, Tarcísio ganhou o apelido nada carinhoso de Tercerísio, o que evidencia que a grande marca de sua gestão para a categoria eletricitária foi a ter­ceirização e a não valorização dos trabalhadores próprios.

Em mensagem ao Linha Viva nessa semana, um traba­lhador faz um resumo da gestão Tarcísio na Celesc: “As únicas realizações que ele aponta são os investimentos aprovados pelo Conselho de Administração e a valoriza­ção das ações. Ou seja, zero compromisso com o atendi­mento e zero consequência do próprio trabalho”.

Enfrentamentos

O período também foi marcado por um clima constante de enfrentamento com a categoria. Negociações salariais difíceis, tentativas de retirada de direitos e posturas consi­deradas intransigentes por parte da direção contribuíram para o aumento da tensão. Mobilizações, paralisações e protestos tornaram-se frequentes, refletindo a insatisfa­ção dos trabalhadores com os rumos da empresa.

A teimosia de Tarcísio nas negociações também re­sultou em duas greves: uma em 2024, pela PLR, e outra em 2025, pelo destravamento das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho. A categoria só avançou em direitos durante a gestão Tarcísio Rosa à base de muita luta, com greves, paralisações e grandes atos organizados pelos sin­dicatos da Intercel.

Para a Coordenação da Intercel, o balanço da gestão é negativo. A avaliação é de que houve um distanciamento entre a presidência e a realidade vivida pelos empregados e pela população, com decisões que priorizaram indicado­res financeiros em detrimento da função social da Celesc como empresa pública estratégica para o desenvolvimen­to do estado.

Com a saída de Tarcísio Rosa, abre-se a possibilidade de um novo momento para a companhia. As entidades re­presentativas dos trabalhadores esperam que a próxima gestão priorize o diálogo, valorize o quadro próprio, invista na melhoria do atendimento e retome o compromisso com um serviço público de qualidade, alinhado aos interesses da sociedade catarinense.

Futuro da Celesc

O jornal Notícias do Dia aponta como provável su­cessor de Tarcísio na em­presa o advogado Edson Moritz, que hoje preside a Casan. No currículo, Moritz afirma ter atuado “nas áre­as comercial e branding/marketing (analógico e digi­tal) e também em gestão es­tratégica e de administração financeira”. Também atuou na Assessoria Parlamentar da liderança do PL (partido do governador Jorginho Mello) no Senado Federal, como coordenador do Núcleo de Articula­ção Política.

A expectativa da categoria é que, se confirmada essa in­formação pelo Conselho de Administração da Celesc, Mo­ritz utilize todo o seu conhecimento para ajudar a resolver os problemas herdados de Tarcísio no sistema comercial e a recuperar a imagem da Celesc perante a sociedade cata­rinense. Além disso, que respeite os direitos históricos da categoria e que trabalhe para construir negociações cole­tivas respeitosas. Que a nova gestão tenha o olhar para a empresa pública e não privada, honrando o compromisso firmado por Jorginho de manter a Celesc Pública.

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