Privatizações acumulam críticas: tarifas mais altas, piora no serviço e precarização do trabalho

Privatizações acumulam críticas: tarifas mais altas, piora no serviço e precarização do trabalho

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Empresas privatizadas recentemente, como Copel e Sabesp, acumulam um mar de reclamações em seus respectivos estados

A privatização de serviços essenciais como água e energia, intensificada nos últimos anos em diversas regiões do País, tem gerado uma crescente onda de críticas por parte de trabalhado­res, especialistas e da população. Prometida como solução para ampliar investimentos e melhorar a qualidade dos serviços, a transferência dessas áreas estratégicas para a iniciativa priva­da tem apresentado resultados que colocam esse modelo em xeque.

No setor elétrico, empresas como a Copel – distribuidora de energia no Paraná -, após a privatização, passaram a ser alvo fre­quente de reclamações relacionadas a quedas de energia, demo­ra no restabelecimento do serviço e dificuldades no atendimento ao consumidor. De acordo com o jornal Tribuna do Paraná, após a privatização da Copel, reclamações por interrupção de ener­gia elétrica dispararam 55%, no período entre 2024 e 2025. Na cidade de Foz do Iguaçu, no oeste paranaense, no mesmo perío­do, o número de reclamações contra a concessionária via site da prefeitura aumentou 97% – informação do jornal H2Foz.

Em matéria em seu site, a rádio paranaense Cruzeiro FM, registra que “antes modelo de eficiência no Brasil, a Copel foi rebaixada a campeã de queixas dos consumidores na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”.

Trabalhadores da Copel denunciam que a redução de equi­pes próprias e o avanço da terceirização têm impactado direta­mente a capacidade de resposta da empresa, especialmente em situações de emergência.

A lógica se repete no setor de saneamento. Após processos de concessão e privatização, multiplicam-se relatos de aumento nas tarifas de água e esgoto, sem que haja, na mesma propor­ção, melhorias efetivas na qualidade dos servi­ços.

O jornal Hora do Povo noticiou no final de 2025 que o número de falhas na rede de água e esgoto da cidade de São Paulo “disparou em 2025, primeiro ano completo após a pri­vatização da Sabesp, realizada em 2024. Se­gundo dados obtidos pela TV Globo junto à Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) por meio da Lei de Acesso à Informação, até julho deste ano já haviam sido registradas 52 falhas – um número alarmante, que já supera, em poucos me­ses, todo o acumulado do ano passado, quando houve apenas 7 ocorrências”. A matéria conclui: “A escalada das falhas é um contraste gritante com os anos anteriores, quando a Sabesp ain­da era estatal. Em 2020, foram registradas 82 falhas, mas esse número vinha caindo: foram 43 em 2021, 33 em 2022 e 20 em 2023. A queda abrupta para 7 em 2024 parecia sinalizar uma estabilidade. No entanto, bastou a empresa ser privatizada para os problemas voltarem a crescer de forma acelerada”.

Para a Intercel e a Intersul, um dos principais problemas está na mudança de prioridade dessas empresas. Em vez de focar na universalização e na qualidade dos serviços, o modelo pri­vatizado tende a priorizar a rentabilidade e a distribuição de lu­cros a acionistas. Isso se reflete na contenção de investimentos estruturais e na adoção de políticas de redução de custos que atingem diretamente os trabalhadores.

A precarização das relações de trabalho é outro ponto central das críticas. Sem concursos, redução de quadros próprios e au­mento da terceirização, há perda de direitos, aumento da rotati­vidade e maior exposição a riscos, especialmente em atividades técnicas e operacionais. Além de afetar os trabalhadores, esse processo compromete o conhecimento acumulado e a qualida­de do serviço prestado à população.

Os impactos dessas mudanças são sentidos no dia a dia. Famílias enfrentam contas mais caras, serviços instáveis e di­ficuldade para resolver problemas básicos. No caso da água, a situação é mais grave, por se tratar de um recurso essencial à vida, cuja falta ou má qualidade pode gerar consequências dire­tas à saúde pública.

Diante desse cenário, o movimento sindical tem intensificado a mobilização contra a privatização de serviços essenciais e em defesa de um modelo público que garanta acesso universal, tari­fas justas e condições dignas de trabalho. As entidades também cobram maior fiscalização por parte dos órgãos reguladores e transparência na atuação das empresas concessionárias.

A experiência recente no Brasil reforça um alerta: transformar direitos básicos em mercadoria pode aprofundar desigualdades e comprometer serviços que deveriam estar a serviço da popu­lação. Para os trabalhadores organizados, o debate sobre água e energia vai além da gestão — trata-se de defender soberania, dignidade e qualidade de vida.

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