Evento nacional debate políticas públicas, denuncia perdas de R$ 94 bilhões com discriminação e cobra mobilização permanente
O 7º Encontro Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+ da CUT, realizado entre os dias 4 e 6 de junho, em São Paulo, reuniu dirigentes sindicais, ativistas, pesquisadores e representantes do governo federal para debater a defesa dos direitos da população LGBTQIA+ como parte indissociável da luta da classe trabalhadora. A atividade reforçou o papel do movimento sindical na construção de uma sociedade mais democrática, com igualdade de direitos e livre de discriminação. O Sinergia foi representado pelo seu diretor de Imprensa, Leonardo Contin da Costa.
Ao longo dos três dias, os debates destacaram a necessidade de transformar conquistas históricas em políticas públicas permanentes, com estrutura institucional, orçamento e participação social efetiva. Representantes do governo federal e de movimentos sociais enfatizaram que a consolidação desses direitos depende da articulação entre Estado e sociedade civil, além da mobilização contínua nos territórios.
Um dos pontos de destaque foi a apresentação de dados sobre os impactos da discriminação no país. Estudo do Banco Mundial em parceria com o Instituto Matizes aponta que a exclusão da população LGBTQIA+ do mercado de trabalho gera perdas de cerca de R$ 94,4 bilhões por ano — o equivalente a 0,8% do PIB. A pesquisa também revela uma taxa de desemprego de 15,2% entre pessoas LGBTQIA+, mais que o dobro da média nacional (7,7%), além de altos índices de informalidade (46%) e relatos frequentes de discriminação e ocultação de identidade no ambiente profissional.
A programação incluiu ainda debates sobre os desafios no mundo do trabalho, a importância da formação sindical e a ampliação da participação política da população LGBTQIA+. Entre as atividades, houve a realização da 2ª Marcha Nacional LGBTQIA+ da Classe Trabalhadora, que levou às ruas pautas como redução da jornada de trabalho, combate à violência e promoção de direitos. Também foi lançada no evento a Cartilha “Serviço Público com Orgulho”, pela Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal, com orientações, glossário e canais de denúncia, orientando os direitos da comunidade LGBT+ no serviço público.
O encontro foi encerrado com a reafirmação de que a luta contra a LGBTfobia está diretamente ligada à defesa de melhores condições de trabalho, renda e cidadania. O público presente no Encontro também participou da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo com bloco próprio da CUT, simbolizando a continuidade da mobilização e o compromisso do movimento sindical com a diversidade, a inclusão e a ampliação de direitos para toda a classe trabalhadora.
Com informações da CUT Brasil. Fotos: Carol Sonego e Leonardo Contin
