Trabalhadores do Almoxarifado Central se manifestam sobre possível mudança

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Mensagens foram enviadas ao LV após publicação da Tribuna Livre na edição 1689 sobre o tema

Trabalhadores do Almoxarifado Central enviaram mensa­gens ao Linha Viva após a publicação da Tribuna Livre na edi­ção 1689, que fazia um comparativo da mudança de cidades com a tragédia do Titanic. Todas as mensagens trazem o mes­mo sentimento de indignação com a mudança, em função dos prejuízos que os trabalhadores terão caso ela se concretize.

Confira abaixo os relatos dos trabalhadores, que pediram anonimato, por medo de perseguição:

Trabalhador 1: Hoje, minha rotina é sinônimo de qualidade de vida. Moro a menos de 2km do trabalho, o que me permite almoçar em casa e participar ativamente da criação do meu fi­lho de 5 anos, levando-o e buscando-o na escola. No entanto, a transferência do Almoxarifado para Biguaçu ameaça destruir esse equilíbrio. Passar de uma curta caminhada para um trajeto de 50km significa perder horas preciosas com minha família no trânsito, além de elevar drasticamente meus custos de desloca­mento. É angustiante ver o tempo de qualidade com quem amo ser trocado pelo asfalto e a exposição diária aos odores e gases de um aterro sanitário e de uma fábrica de ração. Essa logística é desfavorável para o bem-estar dos trabalhadores e desestru­tura rotinas familiares consolidadas, como a minha, que depen­de da atual localização para o suporte escolar do meu filho”.

Trabalhador 2: Com a mudança, o tempo médio de des­locamento irá aumentar em aproximadamente 2 a 3h diárias, dependendo das condições do trânsito, impossibilitando que eu leve e busque minha filha na creche e que almoce em casa. A transferência do local de trabalho acarretará no aumento aproximado de R$ 2.212,32 mensais em despesas diretas (R$ 1.552,32 de Gasolina e R$ 660,00 de alimentação), além de pre­juízos imateriais relacionados à convivência familiar (menos tempo com minha esposa e filhos), desgaste físico e emocio­nal (menos tempo e disposição para me exercitar e estudar), e redução significativa da qualidade de vida”.

Trabalhador 3: Meu filho menor (com TEA), que mudanças para ele e para minha família seria uma mudança brusca. Ele faz várias terapias no contraturno da minha jornada de trabalho, além atividades, tenho 3 filhos que estudam em 2 escolas dife­rentes por conta do grau escolar. Todas as atividades, terapias e escolas estão concentradas no município onde o Almoxarifa­do encontra-se hoje. Com o deslocamento alteraria o cronogra­ma já estabelecido para não causar crises no meu filho (TEA). Sem contar o tempo do deslocamento para o futuro local de trabalho, onde não possui escola, local para construir uma resi­dência, não possui clínicas, hospital, nada por perto. Da minha casa até o local/trabalho e trabalho/casa terá 100km, contando com o tempo médio de 1h (sem movimento/horário de pico e sem acidentes)”.

O Sinergia fez o protocolo de denúncia ao Tribunal de Con­tas do Estado e ao Ministério Público do Trabalho sobre o caso. Um trabalhador da Celesc também ingressou com Ação Popular em função de possíveis irregularidades no processo licitatório.

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