Greve na Setup é suspensa após mediação e empresa promete proposta

Greve na Setup é suspensa após mediação e empresa promete proposta

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APÓS OITO DIAS DE PARALISAÇÃO, TRABALHADORES RETOMAM ATIVIDADES ENQUANTO AGUARDAM COMPROMISSO SOBRE SEGURANÇA, SALÁRIOS E DIREITOS

A greve dos trabalhadores da Setup – empresa terceirizada que presta serviços para a Celesc -, foi suspensa no final da tarde dessa segunda­-feira, dia 22. A suspensão, após oito dias de paralisação, foi decidida pelos trabalhadores após uma reunião media­da pelo Superinendente Regional do Ministério do Trabalho e Emprego, Valmor de Paula, entre o Sinergia e a direção da Setup. Nessa reunião, a empresa se comprometeu a apresentar ao Sinergia até sexta-feira, dia 26, uma pro­posta às reivindicações dos trabalhadores.

O sindicato solicitou que a proposta da empresa con­temple questões de saúde e segurança no trabalho, o respeito ao piso salarial da categoria, o fim de qualquer prática de assédio ou pressão por metas absurdas, a não perseguição e a retirada da suspensão aplicada aos em­pregados grevistas, assim como a possibilidade de legi­timação do Sinergia como representante sindical da cate­goria, após assembleia específica – levando em conta que há trabalhadores na Setup sindicalizados há mais de um ano, que novos trabalhadores se filiaram durante a greve e que o movimento paredista ajudou a legitimar ainda mais a identificação dos trabalhadores com o Sinergia. Da par­te da empresa, houve a garantia do envio da proposta até sexta-feira, dia 26, mediante a retomada dos serviços já na terça-feira, dia 23, pela manhã.

Avaliação do sindicato

O Coorde­nador Geral do Sinergia, Lucas Henrique da Sil­va, argumentou ao fim da vota­ção que delibe­rou pela suspen­são da greve, que o movimento já é vitorioso: “Primeiro, por conta da unidade dos trabalhadores em torno da pauta. Segundo, porque a empresa terá que se movimentar para garantir saúde e se­gurança aos seus empregados e, também, melhorias sala­riais e nas condições de trabalho”.

O dirigente Mário Jorge Maia, o Marinho, lembrou que “a greve está apenas suspensa, mas não encerrada”. E que “a suspensão definitiva do movimento só ocorrerá após a análise pelos trabalhadores da proposta a ser encaminha­da pela direção da Setup”. E que ficou acordado entre as partes que a homologação final do acordo será registrada junto ao Ministério do Trabalho e Emprego.

A dirigente sindical Cecy Marimon parabenizou os tra­balhadores pela disposição de luta na defesa de seus direi­tos e lembrou que “a pressão sobre a empresa foi grande em função da articulação política do Sinergia, que deu eco às demandas dos trabalhadores através das redes sociais, dos meios de comunicação e, principalmente, do contato com outros sindicatos e com parlamentares que defendem a classe trabalhadora”.

Presenças no movimento ajudaram a mostrar à so­ciedade catarinense o descaso da Setup e da Celesc com a segurança dos trabalhadores

Durante os oito dias de greve na Setup, lideran­ças sindicais, de movimentos so­ciais e da classe política visitaram e ouviram os tra­balhadores. Esti­veram presentes representantes do Sindicato dos Servidores Pú­blicos Munici­pais de Palhoça (Sitrampa), do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de São José (Sintram SJ), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Rede Vida Viva, do Coletivo Juntas!, da UP!, além do deputado estadual Pa­dre Pedro Baldissera (PT), dos vereadores André Guesser (PDT/São José), Cae Martins (PT/São José), Bru­no Ziliotto (PT/Florianópolis), o ex-vereador Vanderlei Lela (PT/Florianópo­lis), além da re­presentação da vereadora Ingrid Sateré Mawé (PSOL/Florianó­polis). A vereado­ra de São José, Jumeri Zanetti (PT/São José), não esteve pre­sente na greve, mas fez uma manifestação na Tribuna da Câmara que ajudou a repercutir as condições precárias de saúde e segurança dos empregados da Setup.

As denúncias feitas pelos trabalhadores durante a gre­ve são bastante graves e foram tema de representação do Sinergia junto ao Ministério Público do Trabalho e ao Minis­tério do Trabalho e Emprego.

E a Celesc?

O Sinergia se reuniu no fim da semana passada com duas gerências da Agência Regional de Florianópolis da Celesc e dois representantes dos trabalhadores da Setup. Durante o encontro, os trabalhadores expuseram aos ge­rentes a situação precária de segurança, inclusive a ausên­cia de CIPA e de um técnico de segurança do trabalho, e as metas abusivas impostas pelas chefias na Setup. Os gerentes Leandro Seemann e Leonardo Valentim se com­prometeram a cobrar melhorias na segurança dos traba­lhadores da Setup e a acompanhar os avanços de perto.

É lamentável, contudo, que os trabalhadores tenham que chegar à condição extrema de fazer uma greve – um dos trabalhadores fez greve de fome – para que a Celesc passe a olhar com mais atenção à falta de segurança das equipes terceirizadas. Não custa lembrar que a Celesc, como contratante, também tem responsabilidades sobre a vida e a segurança dos empregados da Setup.

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