TRIBUNA LIVRE | Por Lucas Henrique da Silva, economista, trabalhador da Celesc e Coordenador Geral do Sinergia
A divisão entre próprios e terceiros não é acidente, é estratégia. E enquanto a categoria permanece fragmentada, quem lucra é o modelo que precariza. Os trabalhadores terceirizados da Setup executam as mesmas tarefas que os efetivos da Celesc. Sobem nos mesmos postes, enfrentam os mesmos riscos, mantêm a mesma rede elétrica. Mas recebem salários menores, têm menos proteções e vivem sob condições de trabalho que a empresa pública jamais admitiria para seu próprio quadro. Essa desigualdade não é tolerável e não pode ser naturalizada. O Sinergia defende um princípio claro: quem faz o mesmo trabalho deve receber o mesmo salário. Não é radicalismo. É o mínimo que a dignidade do trabalho exige. Mas há também uma dimensão estratégica nessa luta. Ao denunciar e elevar o custo político e econômico da terceirização, o sindicato torna esse modelo menos atrativo para a gestão. Cada irregularidade exposta, cada condição precária denunciada, cada comparação injusta colocada na mesa enfraquece o argumento de que terceirizar é eficiente. Não é. É só mais barato para quem não paga a conta real. E essa conta quem paga é a sociedade. As péssimas condições de trabalho impostas aos terceirizados não ficam confinadas ao pátio das empresas terceirizadas. Elas chegam até o consumidor na forma de serviço degradado, de atendimento lento, de rede precária. A precarização do trabalho é a precarização do serviço público. Por isso, a luta dos trabalhadores da Setup não é uma pauta isolada. Ela está diretamente conectada à defesa da Celesc como empresa pública, com quadro próprio, gestão transparente e compromisso com o acesso universal à energia. Uma Celesc que terceiriza sem critério é uma Celesc que se privatiza por dentro silenciosamente, contrato por contrato. Próprios e terceiros precisam estar juntos. A unidade da categoria é condição para qualquer avanço. Divididos, somos gerenciados. Unidos, somos força. O Sinergia está ao lado dos trabalhadores da Setup. Porque a luta deles é a nossa luta.

