Imagem da Celesc se deteriora sob gestão Tarcísio Rosa

PRESIDENTE ALERTA QUE “SE QUALIDADE CAIR”, PRIVATIZAÇÃO É POSSÍVEL. TARCÍSIO É RESPONSÁVEL POR QUEDA NA QUALIDADE DA CELESC

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O presidente da Celesc, Tarcísio Rosa, indicado pelo governador Jorginho Mello (PL), deu uma entrevista para o jornal Valor Econômico na última semana. A matéria cita que a companhia e a Cemig são as únicas concessionárias de energia públicas do país e que o governador de Santa Catarina se comprometeu em campanha em manter a empresa sob controle do Estado.

A matéria cita o passado privatista de Rosa, que argumenta que “a desestatização é um tema que requer debate contínuo, variando de acordo com a qualidade dos serviços oferecidos”. Ele ainda argumenta que “há um acordo [para não privatizar]: a empresa tem de ser melhor, tem de crescer e ser competitiva (…), não precisa privatizar enquanto for boa, mas se cair na qualidade temos que pensar nesta alternativa, mas não é a discussão do momento”.

A matéria continua afirmando que a Celesc tem índices de DEC e FEC dentro dos padrões regulatórios, mas que caiu três posições na análise de desempenho na continuidade do fornecimento de energia de 2022 para a 2023 – já sob a gestão Tarcísio.

Celesquianas e celesquianos de todo o estado ficaram preocupados com a matéria: afinal, o presidente afirma que, “se cair na qualidade”, é possível pensar na privatização justamente num momento em que – por equívocos de sua gestão – a Celesc figura nos meios de comunicação por diversos problemas no atendimento e recebendo reclamações de milhares de consumidores.

Ora, não foi por falta de alerta: desde o ano passado, a Intercel cobra da Diretoria da Celesc a contratação de novos trabalhadores – especialmente na linha de ponta, como eletricistas e atendentes. Tarcísio e a trupe indicada por Jorginho ignoraram solenemente os apelos dos sindicatos e apostaram no pior cenário. Hoje faltam atendentes em diversos municípios do estado e os trabalhadores estão pagando o preço com a própria saúde – estão adoecendo. Há lojas da Celesc em determinadas cidades fechadas pois não há atendentes lotados naqueles municípios – violentando ainda mais a imagem da empresa.

Além da sobrecarga de trabalho pela falta de pessoal, atendentes comerciais sofrem por conta dos diversos problemas do novo sistema SAP-HANNA – também implementado na gestão Tarcísio. Empregados buscam os sindicatos diariamente para reclamar de bugs e outros problemas operacionais surgidos – como dificuldades de consumidores para pagamento das faturas com códigos de barras, adiamento de débito automático sem aviso prévio aos clientes e outras operações que necessitariam um treinamento mais adequado aos trabalhadores e que foi negligenciado pela gestão Tarcísio e toda a Diretoria. O alerta foi dado pelo jornal Linha Viva desde o mês de março (a partir da edição 1600, capa abaixo), mas, novamente, ignorado pela Direção da companhia. 

A situação na Celesc está tão grave, que até mesmo  jovens aprendizes – menores de idade – estão sofrendo na linha de frente da empresa com a indignação dos consumidores. Há relato de uma jovem que ficou tão estressada com a revolta dos clientes, que passou mal no local de trabalho.

A Intercel buscou a Direção da Celesc diversas vezes – desde antes da virada de chave dos sistemas -, primeiro alertando para os riscos da mudança e pedindo um adiamento e depois cobrando soluções para os problemas criados.

Outro questionamento comum entre a categoria é a falta de preparo da gestão Tarcísio para comunicar a população sobre os problemas que surgiriam com a mudança de sistemas. Apesar de ter realizado uma boa campanha prévia em jornais e em TV, a Celesc teria diversas outras possibilidades de se comunicar com a população – com orientações na própria fatura de energia, por SMS ou e-mail dos consumidores. Além disso, ao contrário do que se viu em gestões anteriores, quando o presidente da companhia dava a cara a tapa em diversas crises que envolveram o nome da empresa, Tarcísio se esconde, não explica os fatos à população e deixa que a equipe de comunicação da empresa faça o trabalho que deveria ser seu.

Por fim, não apenas o atendimento comercial vive um momento exacerbado de estresse. Eletricistas da Agência Regional Florianópolis vêm se desdobrando para dar conta de plantões e horas extras intermináveis. É que a empresa terceirizada que auxiliava as equipes de emergência teve seu contrato encerrado no mês passado. Como Tarcísio se nega a contratar novos eletricistas em quantidade suficiente – e sempre aposta no pior cenário para a empresa -, os eletricistas estão adoecendo para dar conta do recado e evitar que a imagem da empresa se deteriore ainda mais. 

A gestão Tarcísio está marcada como a gestão que apostou no caos. Faltam empregados, falta material, faltam camionetes suficientes para fazer um atendimento digno à população. Não é preciso ser vidente para vislubrar o futuro: presidente e Diretoria omissos, consequente queda na qualidade dos serviços e a justificativa para a privatização está pronta para ser colocada em prática.

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