Terceira rodada de negociação é realizada com categoria em luto

Reunião entre sindicatos e direção da Eletrobras foi realizada em 23 de abril em Brasília

0
12

A terceira rodada de negociação do Acordo Coletivo demonstrou que a alta Direção da Eletrobras não tem respeito pela vida das pessoas que constroem essa grande empresa. Sabemos que a Eletrobras não é mais uma empresa estatal, mas respeito e valorização de seu quadro de pessoal é fundamental em qualquer empresa, incluindo as privadas. Em um setor estratégico como o nosso, entender, respeitar, valorizar a história da construção cotidiana é fundamental para ter um ambiente organizacional positivo e condizente com o tamanho da empresa. 

O Coletivo Nacional dos Eletricitários iniciou a reunião com um minuto de silêncio em homenagem ao trabalhador da CGT Eletrosul que teve morte inesperada no sábado, 20 de abril. A preocupação com o clima organizacional após a privatização, o desmonte das áreas de saúde e assistência psicossocial e a preocupação sobre as pressões e cobranças exageradas realizadas pela gestão da empresa deram o tom no início da rodada. A indefinição sobre a locação das pessoas a partir da reestruturação e as ameaças de retirada de conquistas têm produzido aflição, temor quanto ao futuro e adoecimento. É imperativa uma agenda positiva para mudar este clima, considerando riscos de acidentes de trabalho e ao próprio sistema elétrico. 

Plano de Saúde: O foco de reduzir por reduzir resultou no modelo apresentado para a saúde. Ativos deverão ir para plano de mercado e aposentados e agregados deverão permanecer na autogestão. O que inicialmente pode parecer uma boa proposta, somente o seria se a gestão dos planos de saúde permanecessem no âmbito das autogestões, que não possuem fins lucrativos e conhecem as características regionais das empresas e da massa de beneficiários. A possibilidade de descontinuidade de acompanhamento é real e preocupante. Ainda mais no atual cenário de adoecimento da categoria, sem considerar a possibilidade de encarecimento e descontinuidade do plano de saúde para aposentados e agregados. 

Não à redução salarial: A Eletrobras reafirmou a intenção de reajuste zero e insistiu em redução salarial. Desta vez, com índices distintos por faixas salariais aos hipossuficientes e possibilidade de redução esdrúxula aos hipossuficientes. O CNE rejeitou qualquer redução salarial, entendendo não condizer com a situação econômica da empresa, com R$4,4 bilhões de lucro líquido. Querer reduzir salários e diversos benefícios é uma contradição com o cenário de uma empresa pujante. 

De 2022 para 2023, houve redução de 33% na folha de pessoal e diminuição de quase R$ 500 milhões em benefícios. Em contrapartida, houve aumento em ações judiciais contra a empresa, aumento do pagamento de parcela variável e aumento na folha da alta direção de 37%. 

Há prejuízo à categoria por falta de dados e informações da empresa, necessários para prosseguir no processo negocial de forma transparente. Respeito e valorização da categoria são imprescindíveis para uma empresa forte e e estratégica no mercado. 

O CNE reafirma seu compromisso com a vida e com aqueles que constroem a Eletrobras. Vida é saúde, dignidade, boas condições de trabalho e sem distinção por tempo de casa ou salário. Não aceitará retrocesso ou a truculência de achar que a redução salarial e a divisão da categoria serão a garantia de um ACT digno. 

Mobilização continua sendo o bem mais precioso para garantir as conquistas da categoria. Na próxima rodada, o CNE, além de apresentar situações especificas constantes nos ACTs de cada empresa e normas internas, espera que a Eletrobras venha com postura condizente com a robustez de seu lucro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui